Seleção de artigos da Tudo de Cão

Marley ou Lassie?

By | 2017-01-18T11:43:12+00:00 Maio 19th, 2012|Categories: Artigos|Tags: |

Marley ou Lassie? A escolha é sua!

Ele era pequeno, cabia em uma das mãos. Ía onde queriam levar. ”Sempre no colo”, como recomendou a médica, por não estar ainda imunizado. A brincadeira no tapete central da sala era o melhor momento do dia. A família toda sentava no chão só para admirar aquela bolinha peluda correndo de forma desajeitada em direção a mão que alegremente se movimentava pelo chão imitando uma presa sorrateira e de repente se deixava abocanhar por algo que ainda exalava cheirinho de leite. Todos da família amavam quando a bolinha peluda corria e se atirava nas pernas das pessoas com seu corpinho sacolejante, não havia ninguém que resistisse a pegá-la no colo e aproximá-la do rosto que era o principal alvo de suas lambidas e mordiscadas. Que graça quando a bolinha peluda arrastava o capacho da porta da sala para o meio do gramado e lá travava uma grande batalha com direito a rosnados e chacoalhões na inerte e agora empoeirada “presa” bravamente capturada.

Seis meses depois, a bolinha peluda era agora um belo cão de trinta quilos que alcançava qualquer lugar da casa com suas próprias pernas. Que ainda enxergava o mesmo tapete central da sala como seu principal pátio recreativo. A mão que por vezes tentava acariciar sua cabeça era a mesma presa sorrateira a ser perseguida. As pernas continuavam sendo o melhor caminho a se escalar e conseguir atenção das pessoas. Já o capacho da porta da sala… esse nem existia mais.

Para o belo cão tudo continuava igual, mas para a família a bolinha peluda se tornou um turbilhão de energia descontrolada, destruindo móveis, objetos, mãos, roupas e principalmente a paciência das pessoas.

Convivência com cães

Conviver com um cão é sempre uma experiência inesquecível, seja por histórias de obediência, coragem e lealdade como da famosa personagem Lassie, ou pelas atrapalhadas e às vezes desesperadoras situações narradas pelo dono do Marley, aquele famoso labrador da literatura e do cinema.

A verdade é que os cães se comportam de acordo com o ambiente em que vivem. Se houver regras claras e respeitadas por todosdesde a infância do cão, seu comportamento seguirá dentro dos limites dessas regras e o convívio será prazeroso. Caso contrário, o que vai prevalecer é uma descontrolada e explosiva empolgação, que pode trazer consequências nada agradáveis aos envolvidos.

Adaptação a rotina da casa

Quando um novo membro da família chega para ficar é preciso pensar em todas as questões relacionadas à sua acomodação, alimentação, rotina de atividades e enxoval necessário. Isso vale para bebês, parentes que são agregados a família e também para um novo animal de estimação, seja filhote ou adulto.

As crianças ficam anos na escola, lá interagem socialmente, aprendem regras de convívio, limites a serem respeitados, além de fazer novas amizades com frequência. Os cães são animais naturalmente sociais e, assim como nós, precisam se relacionar constantemente para serem felizes e se desenvolverem com saúde.

Além da socialização, o cão tem necessidades inerentes a sua natureza comoroer, farejar e gastar energia (física e mental). Quanto mais o dono conseguir suprir essas necessidades, mais seguro e equilibrado seu cão se tornará. A questão é de que forma oferecer estas oportunidades num ambiente doméstico, sem que os pés da mesa de madeira sejam confundidos com ossos para roer ou as visitas sejam vistas como invasores de território, que devem ser identificados (isso que dizer cheirá-las muito) e vigiados a cada movimento.

Com a elaboração de uma rotina de atividades e a utilização de recursos como brinquedos cognitivos,brincadeiras educativas e aulas de obediência, um cão pode se adaptar ao dia-a-dia de qualquer lar, entendendo o que é ou não permitido ou deve ser feito.

Educação na infância, juventude e idade adulta

Os cães têm capacidade de aprender em qualquer idade. Mesmo animais adultos podem deixar maus hábitos de lado quando corretamente orientados.

Porém, quanto mais cedo se investir na educação do cão, melhores serão os resultados já que seu desenvolvimento pode serconduzido de forma preventiva, ou seja, evitando o erro, ensinando desde o inicio o que é correto. Um bom exemplo disso é fazer xixi e cocô no lugar certo. Sabemos que os cães têm essa necessidade e por que não levá-los ao “banheiro” em determinados intervalos de tempo, como fazem os pais com uma criança que está parando de usar fraldas? Desta forma, o cão vai entender que esse “banheiro” é o único lugar para se aliviar e conforme for controlando suas necessidades fisiológicas, seguirá por conta própria para o seu “banheiro” sempre que sentir vontade.

Normalmente os cães aprendem coisas erradas porque não foram apresentados às coisas certas. Andar na rua “conduzindo” seu dono a passos largos e apressados é um comportamento muito comum e aprendido porque simplesmente deu certo (para o cão!) e ninguém ensinou de outra forma. Quanto mais ele puxa a guia, mais o dono se apressa em segui-lo e assim vão os dois, parando a cada poste, árvore ou moita e correndo e latindo em direção a algum cãozinho que passa do outro lado da rua (cada susto!). Com tanto desgaste, o dono decide interromper o passeio, pois já perdeu a paciência e ainda corre o risco de cair e se machucar devido aos movimentos bruscos do seu amado pet. Qual o resultado desse passeio? Cachorro ainda cheio de energia e sem entender porque aquilo que estava tão legal acabou de repente e dono exausto e irritado, jurando que nunca mais vai levar o totó para passear!

Dividindo boas experiências

Marley_ou_Lassie
Atualmente os cães são muito bem aceitos em vários locais públicos. Essa conquista de popularidade tornou a vida deles ainda mais ligada a de seus donos, já que estes podem aliar suas atividades preferidas à companhia de seu cão. Levar ao shopping para fazer compras, ao restaurante num almoço de domingo, ao barzinho com amigos, viajar para hotéis ou pousadas durante as férias e até fazer trilhas ecológicas são atividades que podem dar muito prazer a ambos e estreitar bastante a relação de amizade e companheirismo.

Porém, para embarcar nessa moda, dono e cão precisam estar preparados. Primeiramente é preciso respeitar o espaço público e as regras de circulação dos animais nos estabelecimentos. Segundo, e tão importante quanto o primeiro, é ter certeza de que a atividade será vista de forma positiva pelo cão. Por isso antes de sair de casa pense nessas questões:

  • Seu cão late quando se depara com situações estranhas para ele?
  • Num restaurante, ele não vai tentar pular na mesa para alcançar a comida?
  • No shopping, você para diante de uma vitrine, ele não vai fazer xixi no rodapé?
  • Não vai se estressar e se tornar arredio diante da intensa movimentação e barulho, típicos de um barzinho num domingo à tarde?
  • De férias na praia, não vai fazer cocô na areia?
  • Ele se deixa cheirar e interage com outros cães de forma tranquila e amistosa?
  • Caso escape da guia e você precise chamá-lo de volta, ele virá prontamente?

Sejam as respostas das questões acima positivas ou negativas, o importante é saber respondê-las e então, ao invés de desistir do passeio, buscar orientação de profissionais e fazer do seu cão a melhor companhia possível em qualquer hora e local.

Vida de Marley ou Lassie? A decisão é de cada um!

Ana Paula Gonçalves - Adestradora da Tudo de CãoAna Paula Gonçalves é Adestradora Comportamentalista da Tudo de Cão, cuja metodologia de adestramento foi desenvolvida com base em estudos científicos e interpretação da linguagem corporal dos animais. As técnicas de adestramento são aplicadas através do reforço positivo. A Tudo de Cão não utiliza métodos coercivos ou dolorosos na solução de problemas comportamentais.

E-mail: ana.goncalves@tudodecao.com.br

 

As possibilidades em adestramento de cães, por Susan Garrett

By | 2017-01-18T11:43:16+00:00 agosto 16th, 2011|Categories: Artigos|Tags: |

Susan Garrett

Este artigo foi escrito pela Susan Garrett, treinadora canadense de Agility e Obediência e traduzido por Anna Carolina Engelke, nossa cliente e amiga. Aproveitem a leitura, que vale muito a pena. Carol, parabéns pela iniciativa!! 🙂

Artigo traduzido por Anna Carolina Engelke com a autorização de Susan Garrett.

“Recentemente me envolvi em uma discussão sobre metodologias de adestramento com amigos e membros da CAPPDT. Me senti impelida a escrever esse post e espero que o tenha feito sem julgamento. Sei que já discuti esse assunto diversas vezes no passado, mas ele certamente vale mais uma olhada.

Você sabe por que alguém treinaria um cão usando força e intimidação se esse alguém não achasse que fosse necessário? A resposta é: eu acho que ninguém treinaria assim.

CLICKER FREAKS – Doidos do clicker

Independente da metodologia escolhida no adestramento, estamos todos unidos pelo nosso amor por cães. Pense nisso, se você ama cães e treina com intimidação e força, você já deve estar armado com milhares de razões porque você acredita que a força é necessária, a fim de satisfazer aquela voz suspirando em seu ouvido que continua a te perguntar “…. e se todos aqueles doidos do treino positivo estão aprontando alguma?”.

Imagine se existisse um mundo onde você pudesse treinar seu cão para fazer qualquer coisa que você desejasse; ser o melhor e mais incrível companheiro que você já teve; atingir todos os seus objetivos de treino e fazer tudo isso em metade do tempo que você gastou com cães no passado; tudo isso sem nunca corrigir seu cão fisicamente e sem perder o controle e bom humor enquanto treina… você não gostaria de ir a esse mundo?

Alguns de nós vivemos e prosperamos em tal mundo de treinamento canino. Um lugar onde cães não são culpados, nem corrigidos verbalmente ou fisicamente por seus “erros”. Sim, esse mundo existe. Não importa se você treina cães de prova de caça ou apenas cães de companhia; treinar dessa maneira É possível para TODOS.

Não é o cão…

Talvez você já tenha visto outros treinarem sem correções e seus cães não tão bem comportados, não ouvem quando em meio a distrações, ou o comando “Junto” desses cães só poderia ser descrito como meia-boca no máximo. Só porque alguém tentou e falhou no treinamento “com comida apenas” não significa que a “metodologia não presta”. Por favor, considere a possibilidade de que a aplicação da metodologia era a única parte com problemas.

Eu sei que minha educação é limitada, meu foco em adestramento está só naquilo que amo; primeiro criar um cão de companhia incrível e depois um grande cão de AgilityObediência ou Flyball. Portanto, eu não tenho todas as respostas para todos os problemas em treinamento de cães. Mas eu sei que existem diversas outras pessoas por aí que também estão trabalhando duro para achar uma “forma melhor” de treino em todas as áreas. Eu também sei que a maior parte da metodologia que uso pode ser lindamente transferida para a maior parte das – senão todas – áreas de adestramento de cães, gatos, cavalos ou até crianças.

Soltando o nerd em treinamento canino

As imagens a seguir esquematizam o treinamento de cães como eu o vejo. (Nota: eu sei que tais quadros não levam em consideração os cães com quadros comportamentais severos, mas sim, levam em conta as massas que vemos todo dia no mundo do adestramento). Sabendo que cães aprendem através de reforço, o reforço é a chave para todo treinamento. Quando as pessoas perdem o controle daquilo que reforça seus cães, nada resta além da punição. É uma coisa, ou outra. Como eu enxergo, para o cão sem treinamento, a necessidade do uso de punição aumenta conforme o controle do acesso aos reforços diminui.

Susan Garrett

Nos últimos vinte anos, eu tenho olhado para o treino de cães dessa forma. Eu sinto que existem dois conceitos-chave.

Conceito Chave No. 1

Quanto melhor você controlar o acesso aos reforços, menos você terá de usar punição em seu treinamento.

A fim de treinar com um alto índice de sucesso, o reforço é uma ferramenta básica. Cães aprendem através de reforços. Se o cão teve liberdade para continuamente acessar fontes de reforçamento que fortalecessem comportamentos indesejados, você tem duas opções. Ou encontrar algo mais reforçador (o que pode não ser possível) ou punir. De verdade, não existem outras opções.

E aqui está a parte que eu adoro:

Quanto mais criativo você for em maneiras de desenvolver, redirecionar e controlar os reforços, menos necessidade haverá para punição.

Eu escolhi treinar sem o uso de correções verbais ou físicas, portanto, devo saber e controlar todas as fontes de reforçamento dos meus cães. É uma jornada incessante de descoberta para mim!

Susan Garrett

Em uma das pontas do espectro de punição está a forma mais branda, que é simplesmente segurar ou impedir o acesso a um reforço quando você não gosta daquilo que seu cão está fazendo.

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Do outro lado do espectro temos o que seria considerado abuso. Dores severas causadas com a intenção de criar medo e eliminar completamente os comportamentos.

Acho que podemos concordar que nenhum programa de treino promoveria punições desse nível como uma parte da rotina e do dia-a-dia. As linhas de “adestramento tradicional” puniriam em um nível mediano, algum ponto entre esses dois extremos. Acredito que cada escola deva ditar sua própria tolerância e definição desse uso.

Ao treinar dessa forma, você pode ser mais desleixado e não ter pleno conhecimento do que reforça ou não seu cão. Não é tão importante porque você pode voltar e tentar controlar o cão através das punições, ao invés de parar e ensinar seu cão a se autocontrolar e ignorar todas as fontes de reforços que não são direcionadas por você.

Susan Garrett

Agora vamos examinar o que eu quero dizer por “acesso a incríveis reforços”. No ponto mais baixo do gráfico, está um cão que vive de uma forma que eu descrevo em meu livro “Ruff Love”. O cão ganha (por merecer) todos os reforços e todos esses são entregues através do dono. Obviamente isso não é plenamente possível já que seu cão será reforçado por qualquer pessoa que faça carinho em sua cabeça, ou quando ele bebe água na cozinha. Justamente por isso, quando falamos do controle de reforços “incríveis”, a parte mais importante é o controle do que o seu cão considera como “incrível”.

Susan Garrett

No outro ponto dessa escala, está o cão que vive em um mundo sem regras. É o cão que rouba comida, brinquedos, persegue outros cães, esquilos ou gatos quando bem entende, late sem parar para conseguir o que quer, revira o lixo, rouba a despensa de comida e, é claro, pode ser visto arrastando o dono pelas ruas ou derrubando a visita que chega na casa…. Vocês entenderam…

Susan Garrett

Logo, tudo que isso significa é que se você acredita que o tipo de treino descrito em “Ruff Love” é muito trabalhoso ou cansativo, então você vai precisar usar punições para atingir seus objetivos de treino com seu cão.

Quanto melhor você controlar os reforços, menos você necessitará de punições para treinar seu cão.

Sim, é simples assim. Mas como diz Bob Bailey: “simples mas nem sempre fácil!”

Conceito-chave No. 2

O último conceito chave para treinar dessa forma é a forma como os reforços são usados. Treino eficiente e efetivo usa todos os reforços como recompensas ao invés de induções. O cão deve ser capaz de ignorar todos os reforços até a hora em que, tendo merecido, o recebe do dono. Assim, quando treinando dessa forma, todos os reforços mais poderosos têm sua origem, em primeiro lugar, como grande distrações para o cão.

Um desafio de treino

Fiz o vídeo abaixo para mostrar alguns exemplos do que é possível atingir com essa metodologia.  Você tem três opções:

– você pode, obviamente, escolher não assistir ao vídeo

– você pode assisti-lo pensando “sim, mas é um border collie!” ou “sim, mas você é uma treinadora profissional” OU

– você pode assistir a esse vídeo com uma cabeça aberta para incontáveis possibilidades

      
 

Se você é um adestrador respeitado que usa punição física porque acredita que está trabalhando com um “nicho” que exige mais força do que outros, porque não aceita meu desafio? Se torne um pioneiro em sua área. Faça o que outros não acreditam ser possível.

Pensem em possibilidades, não em limites.

Seja a diferença que o seu mundo de adestramento está esperando (mesmo que eles ainda não tenham percebido isso!!)

Hoje, estou agradecida por todos vocês que leram isso e ousarão ir contra as tradições e olhar para uma forma melhor para nossos cães e alunos. 

O SEGREDO do Treinamento de aves por Steve Martin

By | 2017-01-18T11:43:17+00:00 Janeiro 18th, 2011|Categories: Artigos|Tags: |

Steve MartinAcompanhamos o trabalho do Steve Martin há alguns anos. Ele é um excepcional treinador de aves dos EUA e, sem dúvida, uma das maiores influências filosóficas da Tudo de Cão.

Resolvi traduzir este texto porque transmite boa parte dos valores da Tudo de Cão: Ajudar a Sociedade, Respeito, Ética, Inovação e Busca por Excelência.

Este artigo transmite a idéia de que não há mágica para sermos bem sucedidos e ainda, nos mostra que para sermos treinadores melhores, precisamos ser pessoas melhores e não há melhor maneira do que através do estudo, dedicação, trabalho e principalmente, respeito (um dos valores fundamentais da Tudo de Cão).

O artigo original encontra-se aqui.

Acesse o site do Steve Martin clicando aqui.

O SEGREDO do Treinamento de Aves

Autor: Steve Martin – Presidente da Natural Encounters, Inc.

Tradução Livre: Leonardo Ogata

Resumo
A profissão de treinador de animais passou por grandes mudanças nos últimos anos. Técnicas coercivas estão dando lugar a abordagens mais gentis que permitem aos animais serem participantes e dispostos a realizar os comportamentos nas nossas apresentações. Este trabalho irá explorar vários aspectos fundamentais que formam a base do sucesso no treinamento.

SteveMartin02O SEGREDO do Treinamento de Aves
Durante anos as pessoas têm me perguntado qual era meu segredo para treinar aves. Era como se eu alimentasse as aves com alguma poção mágica que as tornariam mais predispostas ao treinamento ou houvesse descoberto algum truque mágico para fazê-los cumprir a ordem para não saírem voando. Eu sempre encarei simplesmente como ingenuidade das pessoas por não saberem quanto trabalho e habilidade precisaram ser desenvolvidos para o sucesso no treinamento. Mas, uma noite em um bar, enquanto conversava com um casal da minha equipe, sobre esses equívocos comuns, pensei comigo mesmo: “Talvez tenhamos descoberto o segredo para o treinamento de aves.”

Conforme Cari, Dillon e eu conversávamos sobre as coisas que nos tornaram treinadores bem sucedidos, o segredo começou a tomar forma. Não demorou muito para que um guardanapo de bar revelasse o segredo do treinamento. A fórmula mágica é composto por esses ingredientes: S = Science (Ciência), E = Empowerment (Dar poder); C = Communication (Comunicação); R= Respect (Respeito); E = Enrichment (Enriquecimento) e T = Trust (Confiança).

Ficamos orgulhosos do fato de que nosso SEGREDO não era realmente mágico. Era simplesmente a base para o bom desempenho do treinamento que praticamos todos os dias. Nós prometemos partilhar o nosso segredo com os outros para estimular a discussão sobre a base das boas estratégias de treinamento. O que se segue é o nosso SEGREDO para o sucesso no treinamento de animais.

Science (Ciência)
Estamos constantemente aprendendo com o nosso meio ambiente e desenvolvendo habilidades que ajudam a nos adaptar em todos os aspectos de nossas vidas. Uma das habilidades mais importantes associadas ao bom treinamento de animais envolve o entendimento da aplicação da ciência do comportamento.

As leis de comportamento são tão válidas e relevantes quanto as leis da gravidade. A maioria das pessoas sobrevive confortavelmente sem a compreensão da lei da gravidade. Mas, felizmente, outras pessoas tinham uma visão de voar em um avião, e sua compreensão da lei da gravidade desempenhou um papel importante no seu sucesso. É a compreensão da lei da gravidade que permitiu ao homem voar … e não apenas voar, mas também voar muito além da imaginação … voar todo o caminho até Lua e muito mais.

No mundo animal, muitas pessoas se sentem confortáveis em ficar no seu atual nível técnico. Eu sei que, certamente, isto ocorreu por muito tempo na minha carreira. Eu achava que era um grande treinador. Mas agora, olhando para trás, eu percebo o quanto eu tinha a aprender. Eu não sabia o que eu não sabia. Quando eu finalmente comecei a aprender sobre a ciência do comportamento, as minhas habilidades começaram a melhorar. Não só eu comecei a entender porque muitas das coisas que eu estava fazendo funcionavam, mas o mais importante, eu comecei a entender como melhorar o que eu já fazia. Compreender e aplicar a ciência do comportamento me levou a um nível técnico que eu nunca soube que existia. A ciência do comportamento nos ajuda a planejar o nosso trajeto, resolver os nossos problemas, e nos dá combustível para irmos aos mais elevados níveis de desempenho.

Empower (Dar poder)
Steve Martin - MarabouOs melhores treinadores concentram uma enorme energia em dar poder aos animais no ambiente em que trabalham. Há inúmeras maneiras de fazer isto. Você pode dar poder de fuga a um animal para escapar por uma área aberta ao invés de um espaço confinado. Isso muitas vezes leva o animal a ter mais chances de apresentar uma linguagem corporal confortável na sua abordagem, mais disposto e motivado para participar das sessões de treinamento.

Segurar uma ave de rapina por uma Jesse (equipamento da falcoaria) é uma maneira óbvia de tirar o poder do animal de fugir, mas andar com ela junto a uma parede ou através de uma porta também limita o seu poder de fuga. Quanto mais poder de fuga você puder dar a uma ave, provavelmente, maior será a vontade dela de participar das suas sessões de treino.

Mostrar aos animais que eles têm o poder de modificar a sua linguagem corporal é outro dos segredos de um bom treinamento. Um treinador perspicaz pode perceber os sinais sutis de desconforto em um animal quando se aproxima desse animal. Se o treinador pára ou faz uma pausa, o animal pode relaxar e até mesmo ganhar confiança quando o treinador se afasta.

Se um papagaio te ataca e você se afasta, você dá à ave uma forma de dizer não. Quando você recua onde há o menor sinal de desconforto, a ave não precisará te bicar. Com o poder de controlar a sua proximidade, você perceberá que os animais escolhem ter você por perto.

Communication (Comunicação)
O melhor treinamento ocorre quando há uma troca de informações clara. Um treinador usa “comandos” para dizer ao animal o que ele quer que faça e o animal diz ao treinador, através de sua linguagem corporal, se quer participar ou não. Os melhores treinadores são sensíveis até à expressão mais sutil da linguagem corporal do animal que estão trabalhando. Esta comunicação de duas vias, onde a voz do animal é tão importante quanto a voz do treinador, prepara o palco para o treinamento bem sucedido.

Grandes treinadores praticam uma comunicação honesta e evitam fazer qualquer coisa que possa enganar ou confundir um animal. Eles possuem a habilidade de marcar, no momento exato, a ocorrência do comportamento correto e se comunicam claramente a fim de mostrar o que era necessário para ser recompensado. Eles também entendem como formar um comportamento utilizando pequenas e sucessivas aproximações (shaping).

Clicar e, logo após, recompensar fornece uma clara comunicação que ajuda o animal a entender o significado do clicker. Frequentemente os treinadores não recompensam após o som do clicker e acabam, gradualmente, perdendo este poder. Uma comunicação clara é essencial para o bom treinamento.

Steve Martin - African Crowned CraneRespect (Respeito)
Os melhores treinadores respeitam cada animal como um indivíduo. Isto é único, especial e importante em seu próprio direito. O fato de dois animais serem da mesma espécie e criados em um mesmo ninho pelos mesmos pais não significa que seu comportamento será igual ou até mesmo, semelhante. O comportamento é mais um produto da experiência do que da genética. Não existem dois animais que se comportem da mesma forma, mesmo gêmeos idênticos. Cada animal tem sua própria referência para recompensas, as suas próprias perspectivas em situações diferentes, e seu próprio comportamento individual que tem sido moldado por inúmeras experiências com o ambiente. Às vezes, esse comportamento pode ser indesejável, ou problemático, o que leva as pessoas a rotular uma ave, como a “gritadora”, “traiçoeira”, ou “agressiva”. Mostramos respeito aos animais quando aceitamos que estes comportamentos têm uma função ou satisfazem uma necessidade da ave, e tentamos encontrar formas para satisfazê-la de outra maneira.

Embora muitas pessoas gostem de fazer a comparação, os papagaios não são o equivalente mental de uma criança. Eles são bonitos, inteligentes, incríveis animais, nada menos. Todos os treinadores deveriam respeitar as suas aves como seus parceiros e é seu dever fornecer a melhor vida e ambiente possível.

Enrichment (Enriquecimento)
O enriquecimento ambiental é mais do que colocar brinquedos na gaiola do papagaio ou jogar uma boomer ball para um condor em exposição. Enriquecimento envolve permitir aos animais uma oportunidade de usar seus sentidos e adaptações para “ganhar” vida, algo que lhes é tirado quando os colocamos em gaiolas.

Não importa quão grande, bonita e interessante uma gaiola possa ser, ainda é uma gaiola com oportunidades limitadas de novas experiências. A vida em cativeiro é previsível e rotineira. O mesmo alimento é entregue pela mesma pessoa, na mesma hora, na mesma tigela, todos os dias. O enriquecimento permite aos animais uma oportunidade de interagir com seu ambiente para tomar decisões, ações e experimentar as consequências positivas destas ações.

Alguns itens de enriquecimento ficam aquém da intenção da atividade de enriquecimento. Alguns animais têm medo de itens novos, ou não possuem as habilidades para fazerem uso dele. Oportunidades de enriquecimento são aquelas destinadas a melhorar a vida de um animal. Para alguns animais, treinar vai ajudar a melhorar a sua capacidade de interagir com itens de enriquecimento. O treinamento, por si só, pode ser um enriquecimento.

O enriquecimento ambiental pode ser tão complexo como um quebra-cabeça com comida, brinquedos ou novos alimentos que você colocou para o seu animal.

Trust (Confiança)
Toda vez que você faz algo que seu pássaro gosta, você faz um depósito de confiança na conta corrente do seu banco de relacionamento. Coçar a cabeça, um elogio verbal, companhia ou utilizar alimentos como recompensas são depósitos na sua conta corrente.

Quando você faz algo que seu pássaro não gosta, você faz um saque da sua conta corrente. Cada vez que você força a sua ave a subir no seu dedo, força a entrar em sua gaiola quando ela não quer, ou até mesmo puxar o rabo para fazer com que se vire, você está fazendo um saque da sua conta.

Seu banco de relacionamento é semelhante ao seu próprio banco em que você tem que trabalhar duro para fazer os depósitos. Mas, fazer saques é fácil. Você coloca o cartão no caixa eletrônico, aperta alguns poucos botões e o dinheiro sai. Você sente a gratificação imediatamente. É a mesma coisa com suas aves.

É um pouco mais trabalhoso usar o reforço positivo para fazer os depósitos, e é fácil forçá-los a fazer coisas que não querem fazer. Você persegue a ave dentro da gaiola e, finalmente agarra-a pelos pés e tira-a da gaiola. A gratificação imediata.

Entretanto, esses métodos aversivos são os saques da conta corrente. Quando você saca muitas vezes, você vai à falência. Com o seu pássaro, ele não virá mais perto de você. Você estará com problemas de relacionamento.

Felizmente, a confiança pode ser construída quando desapareceu de um relacionamento. Mas leva tempo e muita repetição de experiências positivas.

Você sabe que tem a confiança de um animal quando ele se aproxima sem hesitação e fica perto se entretendo com comportamentos associados ao estado relaxado como dormir, se limpar, comer, etc.

Sem confiança, você tem poucas chances de treinar um animal. Com confiança, quase tudo é possível.

Steve MartinConclusão
O segredo do treinamento de animais não é mágica. É a interação de seis componentes fundamentais cujo efeito combinado é maior do que a soma dos seus efeitos individuais. Em outras palavras, o SEGREDO, composto de Ciência, Dar poder, Comunicação, Respeito, Enriquecimento e Confiança, cria uma sinergia entre os animais e seus parceiros humanos, o que representa sucesso para nós, como treinadores, e melhora a qualidade de vida para os animais que treinamos.

Biografia
Steve Martin é o atual presidente da Natural Encounters, Inc., uma empresa com mais de 20 treinadores de animais profissionais, e da Natural Encounters Conservation Fund, Inc., uma empresa dedicada a levantar fundos para a conservação.

Steve Martin também produz e apresenta shows educacionais com animais e presta serviços de consultoria comportamental a diversos zoológicos no mundo inteiro. Ele é um administrador do World Parrot Trust, um membro da equipe central do Califórnia Condor Recovery Team, e do Conselho e membro fundador da IAATE.

Cachorro mordendo tudo? Saiba o que fazer

By | 2017-01-18T11:43:18+00:00 setembro 2nd, 2010|Categories: Artigos|Tags: |

Cachorro mordendo

Mastigar, uma necessidade!


Uma das primeiras lições que um novo dono quer é “Como ensinar meu cachorro a não ficar mordendo e destruindo objetos”.

Para resolvermos este problema, devemos entender que mastigar objetos é algo natural e que os cachorros precisam fazer.

Os cachorros mastigam/destroem objetos pelos mais diversos motivos. Os principais:

  • Tédio
  • Coçar a gengiva
  • Ansiedade
  • Limpar os dentes
  • Falta de atividade física e mental

Além de necessidade, mastigar/destruir objetos pode nos ajudar em uma série de questões. Entre elas:

  • Socialização/dessensibilização, ajudando a associar positivamente
  • Limpar os dentes (na natureza, nunca precisariam fazer limpeza de tártaro)
  • Facilita o enriquecimento ambiental. Falaremos mais sobre isso no próximo artigo
  • Gostar de caixas de transporte
  • Ensinar a se comportar em diversas outras situações

A filosofia da Tudo de Cão é utilizar este “problema” a nosso favor. Ao invés de tentarmos eliminar um “problema” a Tudo de Cão orienta aos donos a redirecionar este “problema” para objetos que nos interessam.

Entendendo que mastigar objetos faz parte da natureza deles, tudo fica muito mais fácil. Basta ter um pouco de disciplina, respeito e paciência.

Na próxima página vamos explicar como ensinar os cães a morderem apenas os brinquedos.

Como ensinar xixi no lugar certo

By | 2017-05-22T16:57:03+00:00 agosto 22nd, 2010|Categories: Artigos|Tags: |

Revelamos agora a metodologia que nós, da Tudo de Cão, usamos para ensinar os cães a fazerem xixi e cocô no lugar certo de forma simples, fácil e sem broncas.

A metodologia é muito parecida com forma que as mães ensinam os seus filhos a usarem o penico ou vaso sanitário.

Como as crianças (humanas) aprendem?

Xixi no lugar certo

Você já pensou quanto tempo leva para uma criança aprender a fazer xixi e cocô no penico ou vaso sanitário? Como é este processo?

Segundo este artigo, o normal é que uma criança aprenda até os 2 anos de vida. Mas, é comum se estender até os 4 anos.

A maioria das pessoas usa a seguinte abordagem:

  • No começo a criança fica de fralda para não sujar a casa inteira;
  • Nos horários mais prováveis, ela é levada ao penico. Se fizer xixi ou cocô, é muito elogiada. Se não fizer, é levada de novo mais tarde. Horários mais prováveis: de manhã, após as sonecas, após as refeições,…
  • E se errar? Alguém já viu um pai esfregando o nariz da criança nas necessidades? (Eu hein… de quem foi essa idéia?) Se errar, limpe!

Fácil, né?

Na próxima página vamos ver como aplicamos esse conceito com nossos cães.

Como socializar cães – a importância e os cuidados

By | 2017-01-18T11:43:19+00:00 agosto 16th, 2010|Categories: Artigos|Tags: |

Como socializar dois cãesEste assunto é talvez, o mais relevante de todos na educação do cão de estimação.

O que é socialização?

A socialização é tornar o animal sociável e acostumado com os diversos estímulos a que estamos submetidos em uma vida em sociedade.

Vamos imaginar um filhote de três meses saindo de casa pela primeira vez. Tudo é novo e pode ser assustador. Essa idade está inserida no que chamamos de “Primeira fase do medo”. Podemos dizer que seria equivalente ao período em que um filhote de lobo sai da toca pelas primeiras vezes. Quanto mais rápido ele aprender o que é perigoso, maiores são as chances de sobreviver.

É necessário termos muita paciência nesse momento para entendermos os medos e trabalharmos para que eles não se desenvolvam.

Em situações normais, daquilo que ficar ‘imprintado’ (gravado) como sendo perigoso, o cãozinho poderá fugir ou atacar para o resto da vida.

Agora vamos imaginar um cãozinho que mora há dois anos com outro cão. O que ele aprender, apenas com o outro cão, sobre relacionamento e linguagem canina será suficiente para se relacionar adequadamente com outros cães? Certamente não. Qualquer cão diferente que ele venha a conhecer poderá ser assustador. Seria o mesmo se disséssemos que conhecer apenas uma pessoa em nossa vida seja suficiente para conhecer a espécie humana e sabermos lidar com toda a sua complexidade.

O mesmo vale em relação à ambientes. Uma pessoa que nunca saiu de casa, dificilmente se comportará adequadamente fora dela.

Socialização passiva, o que é?

Socialização passiva é quando o cão é exposto a pessoas, cães equilibrados, etc. e o cão permanece na guia sem interferência do dono. Este filhote aprenderá apenas a ‘suportar’ os estímulos. Ele provavelmente vai apenas se acostumar a eles.

Nesta situação é muito comum que o filhote fique ansioso. Assim que vê uma pessoa ou cão, ele começa a puxar e ficar afobado, querendo interagir (sem saber como) e, na maioria das vezes, quase se enforca na guia.

Ou seja, na socialização passiva, o cão é exposto aos estímulos, mas não é feita uma associação positiva. Acaba sendo feita uma associação ao acaso. Muitas vezes gerando, inclusive, agressividade.

Socialização ativa, o que é?

A socialização ativa não é só acostumar o cãozinho aos estímulos, mas fazer com que ele os aprecie. Por exemplo, passar uma tarde no parque brincando com outros cães e pessoas.

Ou, ao passar um ônibus barulhento ele ganha um petisco. Repetindo algumas vezes, o cãozinho pode começar a se sentir a vontade na presença de ônibus em movimento e, muitas vezes, passa até a gostar de estar nesta situação.

O mesmo vale para pessoas (de idades e estilos diferentes), cães, motos, carrinhos de bebê, etc. Tudo aquilo a que nós, humanos, já estamos acostumados e nem nos preocupamos mais.

Somente dar um petisco para o cão na presença dos estímulos é suficiente? Ainda não. Estaremos criando uma associação positiva, mas, isso ainda não é socialização ativa.

A socialização ativa ocorre quando o cão interage de forma saudável e agradável com os estímulos.

Como fazer para socializar ativamente meu filhote?

1. O primeiro passo é comprar seu cãozinho apenas depois de sessenta dias de idade. Ele precisa ficar até pelo menos sessenta dias com a mãe e irmãos. Não recomendamos comprar filhotes que não conviveram até esta idade.

Essa primeira fase de socialização é muito importante. O filhote aprenderá a linguagem canina básica (sim, ela existe!) com a mãe e os irmãos. Um filhote que passou bastante tempo nesse ambiente raramente vai ser do tipo que, brincando, morde os braços dos donos até machucar. Costumam ser muito mais equilibrados e fáceis de treinar, cedem com mais facilidade, são menos insistentes e aceitam melhor nossas propostas de treino.

2. Brincar com cães equilibrados, que gostem de outros cães, que não apresentem agressividade e dos quais seus donos tenham o mínimo controle. Ok, essa tarefa já é um desafio, mas existem cães assim. Opte por filhotes de amigos, ou cães que estão acostumados ao convívio pacífico com outros cães em praças, viagens, etc. Evite aqueles que apenas ‘suportam’ a presença de outros cães, mas na hora de interagir costumam dar aquele aviso ‘Aufff’ para o cãozinho se afastar. Você precisa colocá-los juntos de duas a três vezes por semana.

Escolha um local cercado e sem interferência de outros estímulos (que possam assustar) e de outros cães. Deixe-os brincar bastante, até cansar. Supervisione a brincadeira para que não se machuquem ou um não ‘abuse’ da boa vontade do outro. Nunca grite, brigue ou ameace, ao invés disso, oriente. Se o filhote está se excedendo, vá até ele e o afaste levemente do outro, quantas vezes forem necessárias para que ele se acalme um pouco e descubra que desta forma a brincadeira acaba. Se encontrar outros filhotes, coloque todos juntos e caso isso não seja possível, faça a ‘procissão’ com o seu, de casa em casa, o máximo de vezes que conseguir.

Muitas pessoas aconselham a deixarem os cães “se resolverem”. Esta opção é, sem dúvida, uma das piores encontradas. Assim como supervisionamos crianças e não deixamos que briguem entre si, não podemos deixar que isto ocorra com nossos cães. Certamente ele associará a presença de outros cães com apanhar ou bater.

3. Associe positivamente com petiscos (carinho não é suficiente nessa fase) no passeio, a passagem por portões com cães agressivos ou latindo e cães que passem na guia com seus donos. Pare a uma distância segura (que ele não apresente sinais de medo) e ofereça petiscos. Pode também induzir os comandos que ele já está aprendendo (já está, ne?), como Senta, Deita, Dá a Patinha. O desempenho, neste momento, é irrelevante. O objetivo é conseguir que se concentre em nós enquanto o outro cachorro do portão se esgoela ou passa na guia. Crie uma lista de estímulos, por exemplo:  

  • Ônibus
  • Motos
  • Caminhão de lixo / gás
  • Outros animais
  • Pessoas que se aproximam com bolsas, chapéu, guarda-chuva, capa de chuva
  • Mendigos
  • Multidões
  • O que mais puder identificar como estímulos.

Andar 20 min no meio de multidões já é um exercício mental imenso, que vai deixá-lo exausto. Sempre faça associações positivas.

Com pessoas:

1. Além de oferecer petiscos para seu cão na presença das pessoas de diferentes idades, etnias e alturas, peça para essas pessoas oferecerem petiscos para ele. Exemplos:  

  • Pessoas de diferentes etnias
  • Pessoas com alturas diferentes, de terno, homens, mulheres
  • Porteiros
  • Carteiros (!)
  • Varredores de rua
  • Idosos
  • Crianças – Chame crianças para brincar de bolinha com seu cãozinho. Ele vai adorar! Conselho: escolha crianças mais calmas e com mais de quatro anos de idade
  • Etc.

Uma vez só é suficiente? Não! Faça isso pelo menos 2 ou 3 vezes por semana. Após um mês, pode diminuir o ritmo.

Nossa, mas socializar meu cãozinho dá muito trabalho! Pois é, não podemos mentir. Porém, ao final desse trabalho, você dificilmente terá problemas de agressividade e medo e ainda terá um cãozinho equilibrado por toda a vida.

Um cão bem socializado consegue ser seguro o suficiente para resolver suas ‘questões’ sem precisar usar agressividade. Na maioria dos casos, a agressividade é fruto do medo daquilo que o cão não conhece ou possui uma associação ruim e quer repelir.

Cada cão é único e pode apresentar reações diversas aos diferentes estímulos. Cabe ao dono trabalhar cada uma delas. Você é a pessoa que mais conhece seu cão e, depois de alguma observação, conseguirá identificar com facilidade o que precisa socializar.

Uma boa socialização é, sem dúvida, o melhor investimento que você pode oferecer ao seu cão. Além de ser divertido você evitará problemas futuros e terá um cão equilibrado e seguro.

Faça uma lista de itens que você considera importantes que o seu cão saiba se relacionar e utilize esta lista como um guia para uma socialização planejada e bem feita.

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A Educação dos Cães

By | 2017-01-18T11:43:19+00:00 agosto 7th, 2010|Categories: Artigos|Tags: |

Anakin, Radha e Al Capone - Border Collies

A educação orientada dos animais de estimação é necessária. Hoje em dia é bastante comum encontrarmos cães que não são bem educados. A preocupação com o comportamento do cãozinho geralmente ocorre quando a convivência já está difícil.

A educação canina consiste em adequar o animal às regras e convívio dentro de nossa família e sociedade, e isto inclui, de forma incontestável, a socialização adequada. Ela começa assim que o filhote chega à nova casa. Ele aprende de uma forma ou de outra e se não for orientado, aprenderá geralmente o que não queremos que faça.

Situações comuns com a qual a maioria dos donos de cães convive: o cão pula nas pessoas, o que acaba fazendo com que fique preso quando se recebem pessoas em casa (ou a visita que tem medo do cachorro não aparece mais), o cão arrasta o dono no passeio para se aproximar e cheirar o cachorro de outra pessoa, o animal faz as necessidades no tapete da casa de outras pessoas que você está visitando, etc, etc, etc. Acaba-se tendo que colocar o cão para fora, ou no canil. O animal fica isolado enquanto durarem as visitas, festas, churrascos. E a resposta do dono é: “Ele é mal educado, não sabe se comportar”. Bom, será que ele foi realmente educado para aprender a se comportar nessas situações?

Os cães aprendem aquilo que funciona, de acordo com o interesse deles em determinada consequência (comida, passeio, atenção, brinquedos, etc). Nós levamos anos, desde nossa infância, para aprender como receber as visitas, não falar de boca cheia, não interromper a conversa dos outros, não jogar comida no chão, não comer com a mão. É até engraçado, mas é real.

Como queremos que um cão aprenda a receber as visitas adequadamente se o que funciona para receber a atenção delas é pular, agarrar com a boca as barras de saia, calça, os sapatos, latir? Nos pequenos momentos em que o cão não faz isso, ele não recebe o que quer e todos falam: “Vamos deixar ele quietinho agora que acalmou…” . Todo comportamento que existe é nutrido de alguma forma. Por que ele deixaria de roubar comida da mão de uma criança distraída se isso é uma recompensa muito grande por si só? Pode até existir uma punição depois, mas a recompensa já aconteceu.

Ivy - Adestramento de Cães

A educação de um cão não é torná-lo um robozinho que faz tudo o que se quer. Um bom adestrador sempre procura orientar a família para que todos eduquem o cão juntos exatamente nas questões mais relevantes para cada um. Não é necessário o uso de qualquer tipo de violência, sustos, gritos, trancos na guia ou técnicas que agridam o bichinho, emocional ou fisicamente.

Existem muitos comportamentos importantes, e vou citar alguns exemplos que, para mim, ilustram um cão bem educado:

– Receber as visitas sem pular e sem exigir atenção;
– Não puxar a guia no passeio;
– Não roubar comida, se comportar durante as refeições em casa, restaurantes, na casa de outras pessoas;
– Respeitar as regras da casa;
– Saber o lugar correto de fazer suas necessidades;
– Não latir para exigir (qualquer coisa);
– Obedecer a coisas simples como: sair do sofá, subir e descer do carro sob comando;
– Etc.

Esses itens variam muito de pessoa para pessoa, de família para família e até entre países e a lista pode ser muito maior, mas existem alguns comportamentos básicos que mostram que o cão teve uma educação ativa e orientada. Quando encontramos um cão educado, ficamos maravilhados e pensamos: ‘Essa pessoa teve sorte, este cão é especial, é muito educado’. Será que é sorte mesmo? Provavelmente os filhos desta pessoa também são educadíssimos.

É necessário que os donos de animais de estimação pensem mais ativamente na educação de seus pets. Por que será que uma criança vai à escola, e fica nela durante praticamente metade de sua vida? Com os animais não é diferente. Eles começam a aprender desde muito cedo, e o aprendizado nunca mais cessa.