Comprando ou adotando um cãozinho

Imagine as seguintes situações:

1. Um casal e uma criança resolvem adotar um cão adulto, pela praticidade e pela causa, proporcionando lar para um animal abandonado. Eles estão pensando em adotar um machinho. Se dirigem ao abrigo, e depois de toda a papelada são levados para escolher seu cãozinho. Passam pela primeira baia, o cãozinho está quietinho, dormindo, tranquilo. Ele é lindo, mas, na segunda baia, um outro cachorrinho pula como louco, late e quando a criança abaixa para acariciá-lo, ele praticamente a abraça com as patinhas. Pronto, a escolha está feita. Levam-no para casa, felizes pela aquisição. O casal havia planejado o cão, e a casa já está preparada para a chegada dele. Eles se informaram com amigos que possuem cães e estão dispostos a seguir todas as orientações que receberam.

2. Um casal pesquisa bastante sobre raças, tamanhos e características caninas. Eles moram em apartamento e decidem comprar um poodle. Vão até o canil do criador e observam atentamente todos os filhotes disponíveis. Eles preferem uma fêmea, que já está com 60 dias, será castrada antes do primeiro cio e passeará duas vezes por dia, uma vez com cada um. A casa já está preparada para a chegada do cachorrinho, e o casal procurou todas as informações que precisava com um treinador. Analisando o comportamento dos filhotes e do casal, o criador indica uma fêmea branca. Ela é alerta, brinca, mas seu nível de atividade é moderado. Eles a levam para casa e já começam o a lidar com ela de forma correta desde o primeiro dia.

 3. Uma senhora está indo para o Shopping fazer compras de Natal e, de repente, encontra uma feirinha de cães. Nossa, são tantos, e tão lindos! Ela acabou de perder seu cachorrinho e está muito abalada e a casa está tão triste… Todos os cães são de raça e o criador garante que são puros, e estão por um preço muito melhor. Eles têm até pedigree! Olhando para a carinha de um labrador amarelo, ela não resiste. Liga para a filha e avisa: – Marisa, estou comprando um novo cãozinho. Ele é maravilhoso, super esperto, já pulou no meu colo e está brincando de morder minha bolsa, um encanto! Ele me escolheu, não posso resistir…

 745346_52052870Quais das três situações você acha que terminará com um ‘final feliz’? Vamos analisá-las.

Adotar cães é um ato muito nobre e com certeza ajuda a causa. A vantagem é que podemos escolher um já adulto, com temperamento e hábitos conhecidos e pular toda a fase mais atribulada do filhote. Com isso conseguimos avaliar se é o melhor cão para determinada pessoa ou família, comparando também seu nível de energia (baixo, médio, alto ou altíssimo) com o da família e sua rotina. Porém, devemos tomar cuidado com as adoções por impulso. Seja adotando ou comprando um cão, é preciso analisá-lo, preparar a casa e as pessoas e ter a certeza de que estaremos fazendo bem para nós e para ele. Será que conseguiremos proporcionar tudo de que o animal precisa? Além de termos diversos gastos (mesmo com cães adultos), o animal tem necessidades que precisam ser supridas, como por exemplo: caminhar com frequência, ter uma alimentação de boa qualidade, ser vacinado e vermifugado, ter a companhia de seus donos, etc.

Situação 1. O casal não adotou o cãozinho por impulso e escolheu um já adulto, o que facilita na análise do perfil do animal para a futura família, porém, talvez por falta de conhecimento e orientação adequada, escolheram um cão que pode ter um nível alto de energia. Se a família tem esse perfil ou seja, é esportista, faz longas caminhadas, viaja e leva o pet, faz esportes com seu cão, dedica um tempo razoável ao animal e sabe mostrar limites, não há problemas. Se o perfil for diferente, o cão acabará ficando com energia acumulada e poderá começar a destruir a casa, o quintal, apresentar comportamentos desequilibrados e, dependendo do seu temperamento, mostrar agressividade ou medo excessivo.

Devemos também tomar cuidado com a fonte de orientações que procuramos. Nem sempre pessoas com muita experiência como donos de animais de estimação possuem a informação de que você precisa. Hoje em dia é comum médicos veterinários procurarem cursos e ajuda para compreenderem melhor o comportamento animal mas, como em todas as profissões, há veterinários que não se aprimoram e não possuem esse conhecimento, e até acabam indicando manejos incorretos. O resultado é que muitas pessoas opinam, cada uma com orientações e dicas diferentes das outras. Hoje no Brasil existem ainda muitos mitos e temos que ficar atentos a isso.

Situação 2. O casal pesquisou o tamanho e a raça canina que se adequam melhor ao perfil e a rotina deles. Esse primeiro passo é mais importante do que imaginamos. Depois, procuraram um criador bem indicado e foram analisar o canil dele. As informações corretas fazem toda a diferença. O criador, percebendo o perfil do casal (e fazendo muitas perguntas), procurou adequar o nível de energia do filhote para os futuros donos. Estes por sua vez, já prepararam a casa e contrataram um profissional qualificado para lhes oferecer mais informações e orientar na educação do filhotinho. A probabilidade de terem problemas é muito pequena. Todas as atitudes foram corretas.

Situação 3. Existe uma grande possibilidade de dar errado. Geralmente as pessoas, levadas pela emoção, acabam se deixando escolher pelo filhote, ou procuram indícios no comportamento da ninhada que não deixe dúvidas de que ‘tinha que ser esse’. Os filhotes possuem temperamentos e características muito diferenciadas, mesmo dentro de uma mesma ninhada, por mais iguaizinhos que possam parecer. Analise a sua rotina, a personalidade da sua família. Por exemplo: pessoas muito permissivas com seus animais de estimação, encontrarão menos dificuldades de convivência com um cãozinho mais ‘submisso’, que aceite facilmente os limites e que respeite naturalmente o espaço alheio.

Já um dono mais experiente e motivado, com uma rotina flexível e agitada, pode pensar em adquirir um animal mais agitado e até um pouco teimoso, pois o fará entender rapidamente quais são os limites e comportamentos adequados, e mais ainda, gastará sua energia constantemente.

Planeje a aquisição do seu cãozinho. Se pergunte: do que ele precisa no dia-a-dia? Onde irá ficar? E quando você for viajar? E se ele ficar doente? Qual é o manejo adequado enquanto ele for filhote? E quando crescer? E quando ficar velhinho?

Não compre cães em feiras ou em barracas de rua. Não orientamos nem que a compra seja feita em Pet Shops. É um tiro no escuro. Cães de feirinha geralmente vêm doentes e o fato de terem Pedigree não garante que sejam de raça. Geralmente são separados muito cedo da mãe e podem ser frutos de um acasalamento sem nenhum critério, no modelo de ‘fazenda de filhotes’ – quanto mais melhor. Este tipo de comércio é bastante prejudicial, para a manutenção e qualidade das raças e para os cães como indivíduos. Eles podem ser muito mais baratos mas é quase certo que você, ou o cão, pagarão o preço mais tarde.

Às vezes também encontramos pessoas que são reféns de seus cães. Elas são mordidas, não conseguem trazer visitas para casa, não conseguem viajar ou até mesmo sair de casa, pelos mais variados motivos que podemos imaginar. Lembre-se: o cão precisa se adequar à sua casa e rotina, e não o contrário. Dessa forma, a convivência será saudável, pacífica e muito prazeirosa, afinal, esse é o objetivo de trazermos para casa um animalzinho, não é?

By | 2017-01-18T11:43:19+00:00 julho 24th, 2010|Categories: Artigos|Tags: |0 Comentários

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