Diário do Lollo: Segunda fase do medo

Existe uma teoria de que os filhotes passam por Fases de Medo, em inglês Fear Stages. Isso significa que existem dois períodos críticos durante o amadurecimento dos cães. O primeiro, por volta de 8 à 11 semanas de vida, coincide justamente com a fase que os filhotes, se estivessem na natureza, sairiam de suas tocas para conhecer o mundo pelas primeiras vezes.

Nesse momento, o filhote precisa ter um certo grau de medo do desconhecido e agir rapidamente caso considere o estímulo realmente perigoso, caso contrário pode não ter uma segunda chance. O filhote nesse momento é amparado pelos pais e outros membros do grupo, que já sinalizam o perigo e o natural é que um aversivo forte como um predador chegando ou atacando o grupo fique imediatamente imprintado, ou seja, da próxima vez que o filhote se deparar com esse animal ou com o aviso de que ele está próximo, vai ter certeza de que é muito perigoso e imediatamente terá todas as reações fisiológicas de fuga.

Nossos cães têm o mesmo mecanismo fisiológico para sua sobrevivência, que infelizmente coincide com a fase mais importante da socialização, onde você precisa expor muito o cão. Daí a importância de fazer isso de forma programada, consciente, ou seja, se planejar onde vai, levar petiscos, brinquedos e ir expondo o filhote de forma gradual, sem traumas, proporcionando sempre as primeiras impressões de forma muito positiva e prazerosa para ele. Isso garante que o filhote não vai encarar os estímulos expostos como sendo perigosos e vai aumentando a autoconfiança gradualmente.

Porém, existe uma segunda Fase do Medo, que ocorre na adolescência, dos 6 aos 14 meses aproximadamente. Nesta fase o filhote pode regredir, mostrando receio de coisas inclusive que já conhece, podendo ficar traumatizado também, dependendo da intensidade que esse medo ocorre e da situação.

A primeira Fase do Medo do Lollo foi inexistente… rs o cachorro saía atropelando tudo, pulando por cima de tudo. Sempre que via um objeto novo, de saco de lixo à mala de viagem, TUDO ele nem cheirava, já tentava abocanhar e mastigar. Eu brinco que o Lollo não tem olfato, ele experimentava o mundo através do paladar e por isso ele é conhecido também como “O pequeno deglutidor”.

Já na segunda Fase do Medo, que é onde estamos nesse exato momento (ele acabou de completar sete meses) ele mostrou muitos sintomas. Já no início dos seis meses, o primeiro episódio de medo foi em um sábado de manhã, em plena Turma de Cão. Uma sacola de supermercado branca começou a voar, dançando, e ele latiu grosso, algumas vezes e mostrou uma postura corporal de desconfiança. Até levei um susto porque nunca tinha acontecido nada parecido. Minha postura foi ir devagar até a sacola com ele, pegar na mão, deixar ele cheirar (ele cheirou!) e depois movimentar a sacola para mostrar que era apenas mais um objeto. Joguei ela prá cima, para que começasse a voar e, depois da primeira conferida, adivinha? Ele queria mastigar a sacola… rsrs

Depois desse episódio eu fiquei mais esperta com relação à isso e ainda mais cuidadosa na exposição. Quando ele completou cinco meses, já estava começando a dormir solto pela casa, pois estava acertando todas as necessidades e ficava quietinho a noite, sem destruir nada. Porém, aos seis meses começamos a notar comportamentos estranhos nele, como por exemplo:

  • Se afastou muito de mim, teve dias que ele nem me dava bola, não ficava perto de mim durante o dia e nem à noite e isso foi algo muito estranho mesmo porque temos uma relação muito forte e ele é um grude;
  • Começou a deitar nos cantos da casa, mesmo durante o dia;
  • Ficou mais “sério”, menos brincalhão com os cães da casa e conosco;
  • Começou a latir quando ouvia barulhos vindo de fora da casa;
  • Começou a latir quando ouvia pessoas chegando de carro;
  • Começou a errar muito xixis e cocôs, tanto durante o dia como de noite;
  • Parecia mais ansioso, agitado durante o dia.

Foram comportamentos incompatíveis com a evolução dele no treinamento e resolvi voltar ao manejo da caixa de transporte, onde ele dorme a noite toda dentro dela fechada, do lado da minha cama (acabou a alegria de dormir a noite toda sem acordar de madrugada para levar o gordo prá fazer as necessidades…). A caixa de transporte trás muita segurança para o filhote, assim como uma toca, com a vantagem de que ele sabe que sempre que a porta da caixa for aberta, ela faz barulho e ele vai ser “avisado”, ou seja, ninguém consegue “entrar” na caixa sem ele perceber, o que relaxa muito o cão quando ele está lá dentro.

Gente, sério, até eu fiquei de boca aberta!! Na PRIMEIRA noite que coloquei ele prá dormir novamente na caixa de transporte o Lollo já começou a voltar ao normal! No dia seguinte ele tava todo dengoso, perto de mim novamente e já começou a querer brincar com os cães novamente. As necessidades demoraram um pouco mais para voltar ao normal, cerca de duas semanas, mas agora já normalizou.

Lollo com três meses conhecendo a versão brasileira do Bob Esponja:

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É assim que ele gosta de deitar quando está relaxado:

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Ele voltou a deitar de barriga prá cima, todo largadão embaixo dos nossos pés, independente se era no meio da sala ou embaixo da mesa. Ainda sinto que ele está sensível e só vai voltar à dormir solto quando essa fase passar. Continuo expondo ele normalmente, mas sempre ligada para que sejam associações positivas.

Quanto mais intensa é a nossa relação com o cão, mais a gente consegue perceber essas mudanças de comportamento, que no caso de um cão de assistência requerem muito cuidado, para aumentar as chances do filhote se tornar realmente um cão de assistência! 🙂

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By | 2017-01-18T11:43:04+00:00 novembro 21st, 2013|Categories: Blog|Tags: |0 Comentários

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