II Conferência Brasileira de Enriquecimento Ambiental

By | 2017-01-18T11:43:18+00:00 outubro 26th, 2010|Categories: Blog|Tags: , |

Participei da II Conferência Brasileira de Enriquecimento Ambiental promovida pela Shape of Enrichment do Brasil, na Faculdade de Veterinária da USP em São Paulo. O evento foi realizado nos dias 22 e 23 de Outubro.

Eu A-D-O-R-E-I! Muitos palestrantes internacionais super interessantes, muitas apresentações, idéias e discussões altamente enriquecedoras. Uma delas foi a mesa redonda: “Será que condicionamento animal é enriquecimento ambiental”? Super produtiva!

Enriquecimento para animais de diversas espécies, de raposas voadoras à pinguins, materiais, idéias e experiências. Além da palestra super hiper motivacional da Robynn Ingle, de um zoológico da África do Sul. Posso dizer que este evento ME enriqueceu.. rs

Enriquecimento para os pinguins do Aquário de São Paulo

Enriquecimento para piranhas

Robynn da África

Palestra da Daniela Ramos – Enriquecimento para Pets

Palestra da Daniela Ramos

O condicionamento facilitando o manejo

Target

Melhor foto da Conferência decidida por votação. A autora ganhou uma máquina fotográfica!

Não deixem de participar do próximo!

Enriquecimento Ambiental – Parte II (Cães)

By | 2017-01-18T11:43:24+00:00 novembro 15th, 2008|Categories: Blog|Tags: |

O que o enriquecimento ambiental tem a ver com nossos animais domésticos? Eu respondo: TUDO! Como citei no primeiro parágrafo do post Enriquecimento Ambiental – Parte I: “Os animais na natureza estão constantemente em busca de alimento, água, território, disputas pelo parceiro sexual, abrigo, evitando predadores”.Devemos lembrar que os cães também possuem necessidades de gasto energético, mental e físico. Diversas pesquisas apontam que os cães são descendentes dos lobos, sendo que a diferença no DNA entre eles foi recentemente descoberta como sendo cerca de 0,02%, portanto são cientificamente considerados como sendo da mesma espécie (o que muda é a subespécie) e são capazes de gerar descendentes férteis (teoricamente qualquer raça de cão com um lobo). Apesar dos cães terem sido submetidos a um forte processo de domesticação, conservam diversos instintos, muitos deles explicados quando retornamos à origem, na matilha selvagem.

Nos deparamos freqüentemente com cães entediados, compulsivos, frustrados e apresentando diversos tipos de comportamentos atípicos, que geralmente não observamos nos lobos ou cães selvagens. Vou citar alguns deles:

# Granuloma de lambedura: o cão se lambe compulsivamente em determinadas partes do corpo, geralmente nas patas e barriga. Há casos de cães que lambem o próprio nariz compulsivamente;

# Movimentos repetitivos: o cão faz sempre a mesma trajetória, andando da mesma forma, formando padrões de movimentação (esses movimentos lembram animais de circo enjaulados, como por exemplo tigres e elefantes);

# O cão passa muito tempo procurando moscas, insetos, pássaros e até sombras, perseguindo-os compulsivamente;

# Destruição do ambiente: o animal destrói plantas, cava diversas partes do quintal, rói paredes, morde e mastiga portas de madeira, pilares, cadeiras, pés de mesa, sofás, etc;

# O animal passa praticamente o dia todo dormindo, se comporta de forma apática, pouco interessado nas pessoas e no ambiente;

# Proteção de objetos: o cão pode se tornar obcecado por um objeto ou local e não permite que outros cães ou pessoas se aproximem. Ele passa a maior parte do dia restringindo o acesso dos outros;

 

# O cachorro late sem parar, sem motivo aparente, geralmente de forma cadenciada e constante;

# Auto-mutilação: o cão se auto-mutila, geralmente nas almofadinhas das patas. Este é um dos problemas mais graves e pode ser antecedido pelo granuloma de lambedura.

Existem diversos outros comportamentos que evidenciam que o cão está desequilibrado. O acúmulo de energia e a falta de desafios no dia-a-dia, leva-os a esse quadro. Comparo a necessidade de gasto energético dos cães à balões de bexiga de aniversário. A cada dia esse balão se enche um pouco, e isso independe da vontade do cão. Se não o ajudarmos a esvaziar constantemente este balão, chegará um momento que ‘explodirá’, o cão começa a mostrar comportamentos compulsivos, pode se tornar extremamente tímido e nervoso, e também agressivo.

Vamos fazer uma comparação de forma cuidadosa, com as crianças. Todas as crianças são ativas, de uma forma ou de outra (mental ou fisicamente). A infância é marcada por muitas atividades e esportes. Algumas são realmente muito ativas (lembremos dos cães que parecem impossíveis e que não conseguem ficar parados por 2 segundos). A criança não tem culpa disso, ela precisa gastar energia e ponto.

Imaginem nossos pais nos confinando quando éramos pequenos em casa, durante as férias em um dia de chuva. Qual era o malabarismo que os pobres tinham que fazer para nos manterem ocupados, brincando? Geralmente com atividades mentais ou televisão. BINGO. É possível também treinar os animais (e as crianças) a gastarem energia em local e situação adequados.

O passeio é muito importante, tão importante que se as pessoas tivessem noção de como um passeio diário devolve o equilíbrio ao cão, alguns donos seriam capazes de passar o dia na rua com seu cachorro. A matilha selvagem faz o que chamamos ‘migração’, procurando fontes de alimento, água, demarcando o território (que geralmente é bem extenso). Na migração, a velocidade costuma ser alta e não existem milhares de paradas para urinar (exceto na demarcação), cheirar tudo e cumprimentar o vizinho, como fazemos com nossos cães. Apesar de acharmos que oferecendo todos estes estímulos ambientais estaremos saciando a necessidade de passeio, e a atividade física? O cão pode nem chegar a arfar, de tantas paradas que faz. E realmente é desagradável ficarmos parando a cada 3 metros, com o cachorro puxando a guia para que sua urina alcance o lugar mais alto do poste.

Portanto, quando vamos passear, o que oriento aos meus clientes é: vamos migrar? Saindo de casa sem deixar o cão cheirar nada, acompanhando o dono durante vários minutos. Geralmente duas paradas de cinco minutos são suficientes para o cão se aliviar (não esquecendo de recolher as fezes!) e cheirar. Passeios de quinze minutinhos não valem, são necessários pelo menos trinta minutos de caminhada rápida. É necessário tomar cuidado com filhotes, que podem não agüentar esse ritmo e cães de porte pequeno, principalmente os de focinho achatado. Devemos procurar passear em horários mais frescos e antes da alimentação deles, tomando cuidado também com o asfalto quente e com fornecimento de água.

Faça a experiência: Programe a semana para passear pelo menos meia hora por dia (alguns animais requerem mais do que isso). Analise o comportamento do seu cão depois do passeio pelo resto do dia e no final da semana. Quando decidimos adotar ou comprar um cãozinho, os passeios vieram no pacote. Tive uma cliente que passeia com suas duas cadelas, religiosamente, todos os dias no período da manhã. Me lembro que em uma das aulas que marcamos bem cedo estava chovendo, eu cheguei na casa dela e fiquei esperando ela chegar do passeio matinal, com capa de chuva e guarda-chuva. Nós temos nosso trabalho, escola, faculdade, nossos amigos, cinema, televisão, livros, internet. E o cão, o que tem?
A nossa ‘falta de tempo’ é, na realidade, falta de organização, motivação e disciplina. É difícil? É! Muito! Mas outro dia Leo disse algo muito sábio: “Para criar uma rotina de disciplina não é necessário que a gente tente fazer todos os dias o melhor possível, e sim, que façamos todos os dias o que dá. Os resultados começam a aparecer e a motivação acaba vindo sem esforço.”

Uma ótima opção é levá-los aos parques, brincar de frisbee, bolinha, e permitir que se socializem (leia o post Dog Parks). Obs: Estamos em busca de sítios e fazendas, pousadas e campings que aceitem animais, se alguém tiver dicas serão muito bem vindas.

Em dias de chuva ou quando saímos, podemos oferecer atividade mental dentro de casa mesmo. Vou mostrar algumas sugestões:

1) Kong

Existem brinquedos que foram criados para serem quase indestrutíveis e ao mesmo tempo interessantes para os cães. Aliando comida e brinquedo, temos uma combinação irresistível. Colocamos recheios no Kong e o cão passa um tempo para conseguir consumir. O brinquedo possui uma anatomia tal, que o animal precisa fazer um esforço grande com a língua e maxilar para retirar o conteúdo, especialmente se for cremoso (o que supre boa parte da necessidade de exercitar a mandíbula – de filhotes e adultos). O ideal é deixar o brinquedo recheado quando o animal vai ficar sozinho em casa. Para dificultar, depois que o cãozinho já ficou craque em retirar o recheio, uma dica é congelarmos o kong com o recheio dentro. Outra dica é, para cães obesos ou com pouca atividade física, colocar metade do brinquedo (no fundo) de ração, e em cima, o recheio.

Conheça algumas receitas para rechear Kong aqui. Uma alternativa é usar a pasta especialmente criada para este fim:

Fotos retiradas daqui.

2) Ossinhos

Costumo orientar para que sempre o cão tenha ossinhos disponíveis, para suprir a necessidade constante de mastigação. Evito oferecer os ossinhos de cartilagem brancos, devido ao tratamento químico que recebem para que fiquem com aquela aparência. Existem diversos tipo de ossinhos que podemos oferecer como alternativa, dentre eles os naturais, defumados, palitinhos, as cartilagens escuras, etc.

3) Buster Cube / Garrafa Pet

O Buster Cube é ótimo para estimular mentalmente os cães. Retiramos a tampa e colocamos a porção de ração que o cão deve comer no período (caso se alimente duas ou mais vezes ao dia). O brinquedo é oco por dentro, e no interior há uma espiral que faz com que os grãos de ração se espalhem, impedindo que se acumulem na tampa, que é um cilindro com diversos orifícios por onde sairão os grãos. Todo o mecanismo dificulta a retirada da ração, é bem interessante.
Como alguns dos brinquedos que escolhi para este post, o buster cube é importado, não existe ainda no Brasil.

 

Uma outra opção, ‘abrasileirada’ é utilizarmos a boa e velha Garrafa Pet. Funciona da seguinte forma:

 

Pegue uma garrafa pet vazia (de 600ml ou menos para os cães pequenos e de 1L ou mais para cães médios e grandes), lavada e sem os adesivos do refrigerante e uma faca ou prego. Esquente a faca ou prego no fogo (tome as devidas precauções para não se queimar, segurando com uma toalha ou chave de fenda). Faça diversos furos na garrafa, um pouco maiores que o grão da ração do seu cachorro (de 8 a 10 furos). Retire a tampa, coloque a quantidade de ração recomendada no pacote. Ofereça ao cão.

Podem ser oferecidos também petiscos, como salsicha (cozida e de preferência sem corantes), queijo mussarela, bifinho para cães, biscoito para cães – todos cortados em pequenos pedaços.

No início alguns podem apenas latir, outros ficam receosos e neste caso é melhor fazer uma dessenssibilização primeiro. O objetivo é que o cão consiga facilmente retirar a ração nas primeiras vezes, para que seja bem recompensado e não se frustre, desistindo da brincadeira. Ele irá rolar a garrafa com as patas e focinho. Se o cão latir demais ou começar a destruir a garrafa logo de início, pode ser que esteja difícil para ele. Aumente a quantidade e largura dos furos.
Com o tempo ele irá ficar craque, e em pouco tempo já terá terminado a ração. Vá diminuindo a quantidade de furos aos poucos, em cada nova garrafa pet que fizer. Ao final de alguns meses, você estará oferecendo uma garrafa pet com um ou nenhum furo e com tampa.
Resolvi colocar esses ‘quebra-cabeças’ pois achei o conceito interessantíssimo. Fica claro para qualquer pessoa que o cão necessita pensar e resolver o desafio do brinquedo. Existem outros modelos também.

 

Esse brinquedo é muito interessante e funciona como um João-Bobo (aquele brinquedo que quando golpeado cai, e depois se eleva novamente). Pelo orifício, colocamos a ração ou petiscos e o cão precisa encontrar maneiras de retirar o conteúdo, segurando o brinquedo deitado, com as patas, golpeando ou usando o focinho.
6) Outros cães
Carlos, Buny e Dingo (Border Collies)

De forma geral, a introdução de outro animal da mesma espécie é uma ótima maneira de oferecer enriquecimento. A interação entre eles, as brincadeiras, toda a habilidade de comunicação, imitar comportamentos, etc, são atividades mentais. É necessário porém, tomar cuidado para que o outro animal ao invés de fazer parte da solução, acabe se tornando ele também, um problema, agora duplicado. Para isso tenho uma dica importante:

Se você escolheu um ou mais cães para serem seus companheiros e animais de estimação, por favor, dê a atenção e desenvolva o comprometimento que eles merecem. Um cão não está preparado para passar a vida confinado em um canil ou isolado no quintal. Não sejamos egoístas, achando que o animal está bem assim. A pior punição para um ser humano, de acordo com a lei brasileira é a prisão e a cela solitária. Mesmo assim, não se deixa um presidiário na solitária por tempo indefinido, ele ficará louco…

7) Clicker game (DESAFIO!)

 

 

O Clicker Game é pouco conhecido no Brasil, e é uma maneira mais sofisticada de oferecer atividade mental aos cães. É necessário que o treinador saiba utilizar o clicker, e que seu cão já esteja previamente preparado (condicionado) ao som.

Você vai precisar de:
– 1 caixa de papelão um pouco maior que o seu cão;
– 1 clicker;
– Petiscos.

 

Na próxima semana estarei postando um artigo traduzido sobre essa brincadeira e até lá, ofereço um desafio aos clicker trainers:

 

O cão que conseguir fazer a maior quantidade de comportamentos, ganhará uma guia e um clicker nas cores que o dono escolher e um porta-chaves lindo, com tema de cães!Enviaremos gratuitamente pelo correio.

 

Mande para nós os seus resultados até o dia 28/11 (com um ou mais vídeos). Escreva para: sara@tudodecao.com.br

 

Vocês têm duas semanas para treinar! Divulgarei o resultado no dia 29/11. E não esqueçam, é necessário aplicar os conceitos do Clicker Game (Free Shaping), sem indução!

 

Quem ainda não conhece o método clicker e não sabe como fazer, aproveite e faça nosso Curso de Clicker e Treinamento Animal, que será nos dias 13 e 14 de Dezembro (colocarei todas as informações no blog).
Obs 1: Clique nas fotos para ver as fontes.
Obs 2: Mandem suas sugestões para promover Enriquecimento Ambiental ao animais, que nós publicamos!

Enriquecimento Ambiental – Parte I

By | 2017-01-18T11:43:24+00:00 outubro 7th, 2008|Categories: Blog|Tags: |

Os animais na natureza estão constantemente em busca de alimento, água, território, disputas pelo parceiro sexual, abrigo, evitando predadores. Vivem novas experiências com muita freqüência, tendo a oportunidade de aprender com cada escolha que fazem. Em um ambiente artificial, a alimentação é fornecida e os animais não precisam competir, estando protegidos de seus predadores. Muitas vezes o ambiente não possui distrações (são jaulas de cimento e grade ou gaiolas), levando o animal a viver anos em espaço muito reduzido e sem nenhum desafio físico e mental. Isso gera sérios problemas comportamentais.
Apenas na década de 70 o conceito de enriquecimento ambiental começou a ser difundido e aplicado em zoológicos pelo mundo. Enriquecimento ambiental é a criação de um ambiente mais complexo e interativo, promovendo desafios e novidades que simulam situações que ocorreriam na natureza, oferecendo oportunidade de escolha ao animal mantido em cativeiro. Isto permite a expressão de comportamentos específicos de cada espécie. É necessário que se faça uma investigação comportamental, principalmente de espécies pouco conhecidas. Logicamente há uma limitação de espaço e atividades, mas é possível incrementar imensamente o ambiente em que o animal vive com o enriquecimento, tornando-o mais complexo, portanto, menos previsível.
O tipo de alimento e a maneira como ele é oferecido (camuflado inteiro ou congelado), assim como a introdução de vegetação, barreiras visuais, substratos, estruturas para se pendurar ou se balançar (como cordas, troncos ou mangueiras de bombeiro), sons com vocalizações, ervas aromáticas, tocas, piscinas, fezes de outros animais são maneiras de se enriquecer recintos em zoológicos.
Fabricante de brinquedos para enriquecimento
Aza – Association of Zoos and Aquariums

É importante estarmos atentos a um fato importante: em pouco tempo os estímulos desaparecem, tornando o ambiente monótono novamente, ou seja, o animal se habitua aos brinquedos, substratos e objetos. É necessário que se tenha muita criatividade e que se faça uma rotação de todos os ítens utilizados para promover o enriquecimento.

Honolulu Zoo

Existem cinco tipos de enriquecimento ambiental, que devem ser apropriados a espécie em questão, para garantir não só a segurança dos animais como do público, no caso de animais cativos no zoológico. São eles:
1. Físico: relacionado a estrutura física do recinto, ou seja, introdução de aparatos que deixem o ambiente semelhante ao habitat natural de cada espécie. Exemplo: vegetação, diferentes substratos (como terra, areia, grama, folhas secas), estruturas para se pendurar e balançar (como cordas, troncos ou mangueira de bombeiro) etc.
2. Sensorial: É amplamente utilizado e consiste na estimulação dos cinco sentidos dos animais: visual, auditivo, olfativo, tátil e gustativo. Sons com vocalizações, ervas aromáticas, urina e fezes de outros animais (com acompanhamento periódico, através de exames coproparasitológicos)
3. Cognitivo: Dispositivos mecânicos (“quebra-cabeças”) para os animais manipularem são maneiras de estimular suas capacidades intelectuais.
4. Social: Consiste na interação intra-específica ou inter-específica que pode ser criada dentro de um recinto. Os animais têm a oportunidade de interagir com outras espécies que naturalmente conviveriam na natureza ou com indivíduos da mesma espécie.
5. Alimentar: variações na alimentação também podem ser consideradas um tipo de enriquecimento ambiental em cativeiro. É de suma importância ressaltar que tais variações devem ser DE ACORDO com os hábitos de cada espécie, visando sempre o bem-estar animal. Alimentos que não constam na dieta habitual do cativeiro podem ser oferecidos aos animais esporadicamente, como frutas da época, por exemplo. Variações na maneira como estes alimentos são oferecidos (inteiros, escondidos ou congelados), na freqüência (diariamente ou não) e no horário (manhã, tarde ou noite).

A primeira coisa que nos chamou a atenção quando visitamos o Zoológico de São Paulo, foi que a maioria dos psitacídeos estava com casal formado. Este tipo de conduta, ainda pouco explorada, chama-se Enriquecimento Social, explicado acima. Alguns animais, como os primatas que apresentam hábitos sociais bastante evidentes, têm maior necessidade deste tipo de atividade; já outros de hábitos solitários pouco dependem desse tipo de interação.

Desta forma, uma das técnicas de enriquecimento que podem ser utilizadas para minimizar esta questão é o uso de espelhos para proporcionar aos animais novos estímulos no ambiente cativo. Para alguns indivíduos, o espelho pode ainda exercer uma outra função a partir do momento em que eles se reconhecem ao observar sua imagem refletida, como acontece com a maioria dos chimpanzés (Pan troglodytes). Ao estimular a capacidade cognitiva destes animais, estamos contribuindo também com seu bem-estar.

Ainda convém citar que assim como as demais técnicas de enriquecimento ambiental, esta deve ter sua permanência previamente determinada, bem como ser acompanhada de observações etológicas para garantir a segurança dos animais.

Site consultado: http://www.zoologico.sp.gov.br/